quarta-feira, 9 de março de 2016
ABOUT ME AND YOU
a night is not enough;
a life maybe
or something more
be able to learn
i'd like to say or do
a sort of new
that lead me to breake up
and find out an universe
i have no tears to dry
and without asleep
i plan new moves at dawn
new plans to get down
and on and on and on
i go repeating mistakes
until the day
that i could put the final point
and start over writing a new begining
Morpheus
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
SONETO SOBRE A RAIVA
A raiva se juntando, aglutinando
como úmida pelota de catarro;
incômodo bolo grudento de barro
A raiva comprimida, se condensando
ali, estorvando como um nó cego
amarrado bem no meio da garganta
e; mesmo que ignores, não adianta
A raiva ali fincada como um prego
rasgando as vísceras inermes
no pontiagudo pungir
de um corte eterno
sangrando alimento para vermes
que parasitam no existir
de seu próprio inferno
Morpheus
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
SONETO PARA UMA PESSOA IGNORANTE
Que importam as regras gramaticais
se te comportas como os animais?
Se escoiceas como um equino
Não ensinarás sequer um só menino
Se tomas a correção por petulância
demonstras apenas vossa ignorância
Se vociferas tal qual um brutamontes
então para ti eu cagarei aos montes
E vossa magistocêntrica figura
propala subserviência e prepotência
em lugar de humildade e eloquência
É da estupidez que fazes usura
para sentir-se superior e insuperável
assim seja meu desprezo por ti, inalienável
Morpheus
sábado, 30 de janeiro de 2016
ESTRANHAMENTOS
Pedi licença e saí para mijar. Entrei naturalmente no banheiro, me dirigi ao mictório, baixei o zíper, tirei meu pinto para fora e comecei a mijar com toda a tranquilidade do mundo. Encostei o braço no apoio da mureta que estava ali e quando olhei para baixo e notei o quanto era branca e limpa e iluminada aquela minha camisa social (que eu quase nunca usava) eu fiquei realmente impressionado. De repente era um insight. Tive aquele pressentimento. De repente tive a certeza de que aquela camisa social era a mesma que seria usada em meu enterro um dia. Era como se eu fosse um defunto olhando para a barriga. Logo me lembrei de um dia quando estava na igreja e observava todos os outros irmãos vestidos com seus ternos como se estivessem todos prontos para serem enterrados. Por que, no fundo, para muita gente a igreja não passa disso, uma preparação para a morte. E por um instante era como se eu estivesse sentindo o cheiro daquelas flores, aquelas flores de velório. E aquela sensação de morte começou a tomar conta de mim até que eu olhei para o meu pinto mijando lá embaixo e finalmente tive a certeza de que estava vivo. Eu mijava! Mortos não mijam. Graças a Deus eu estava vivo e bem. Então minha urina acabou e eu chacoalhei minha ferramenta e o guardei de volta nas cuecas. Fechei o zíper. Fui ao lavatório e lavei as mãos como um bom cavalheiro. Saí do banheiro para o mundo externo ainda como se estivesse sentindo o cheiro daquelas flores de enterro, era como se ao redor pairasse aquele aroma de jasmins e margaridas. Coisa estranha.
O que é que uma camisa social branca quase nunca usada pode fazer!
Morpheus
Morpheus
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
EU
Eu levo chuva onde não há
Se preciso for
Eu levo alegria onde não há
Se preciso for
Eu levo a mentira onde há a prepotência
Se preciso for
Eu levo
Eu faço
Eu crio, eu invento
Mas alguém já afirmou que os poetas estão todos mortos
E que estes versos mal escritos estão todos muito tortos
Morpheus
Marcadores:
alegria,
chuva,
criar,
eu,
i,
inventar,
me,
mentira,
myself,
poetas mortos,
prepotência,
versos tortos
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
MINHA POESIA
Minha poesia fala por si
é parte das coisas
todas pelas quais vivi,
pequeno registro é do que já foi
como alguém conhecido
que passa pela janela e diz um oi
Minha poesia
não me pertence certamente
veio por mim
mas sempre vai para outra gente
Morpheus
sábado, 19 de dezembro de 2015
A BOCETA CÓSMICA
Capturei um poema na ressaca da manhã de domingo
quando estava parado no sinaleiro
e milhares de nuvens cinzentas deslizavam silenciosamente
para lugar nenhum
A verdade é uma boceta cósmica que suga toda a existência
para dentro de si
o que há do outro lado
ninguém aqui sabe...
Morpheus
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
INEXORÁVEL
Então era isso, lá estávamos nós, eu,
Tertuliano e Zacarias numa sala de mais ou menos doze metros quadrados. Já
haviam se passado uns bons dois ou três minutos sem que ninguém dissesse
palavra. Eu estava vencendo, estava conseguindo vencê-los em seu próprio campo
de batalha. Não era uma tarefa fácil, devo admitir, mas minha resignação calada
os pejava e, aos poucos ia minando aquela vontade que eles tinham de permanecer
falando sem parar. No mais eu apenas os respondia por monossílabos ou fingia não ter
ouvido de que se tratava, colocava a mão em concha no ouvido e perguntava; “o
que?”.
Agora eu brincava com meu pé, erguia, colocava no
chão, ajeitava o cadarço, pisava e repisava como se houvesse algo de interessante
num estúpido e simplório pé. Tertuliano olhava para o teto, depois para as
paredes, pensava, procurava alguma coisa para dizer. Zacarias, de frente para
ele em sua mesa de vidro glacial rabiscava qualquer desenho abstrato no papel,
afastava o cabelo do olho, sugava com força o ranho do nariz. O patrão não
chegava, não ligava e ninguém sabia muito bem o que fazer. Os três continuavam
enrolando de acordo com a ordem cósmica das coisas até que o gongo soasse.
É claro que não podemos ser filósofos o tempo todo,
mas conversa fiada demais também é insuportável. Tertuliano e Zacarias passavam
o tempo todo falando trivialidades ou fazendo fofoca da vida alheia. Eu me
mantinha ausente, fingia ser um vegetal, um vaso de planta esquecido ali na
sala e sem importância alguma. Não queria fazer parte daquilo, tinha meus
próprios problemas, minhas próprias intrigas para resolver, minhas contas para
pagar e todas as questões sem resposta que pairam sobre o universo. Por isso eu
divagava largamente enquanto cutucava os dedos das mãos. De repente me lembrava
do cheiro de cu suado e sei lá o que mais que se misturava no ônibus toda a
tarde quando eu saia do trabalho. De repente me lembrava que seis lindas e
geladas latinhas de cerveja esperavam por mim na eternidade de uma geladeira
muda. Pensava em me esgueirar até o armário e me refugiar no romance que estava
lendo, mas não; eles me entregariam certamente. Esperavam apenas a oportunidade
propícia, o deslize, o erro bobo para finalmente se livrarem de mim. Eu não
podia claudicar, não naquele momento. Como numa partida de xadrez eu tinha que
fazer o movimento certo e o movimento certo, neste momento, era manter-se nulo
como a serpente que espera a presa vacilar diante de si para aplicar o bote
certeiro.
Quando dei por mim eles haviam recomeçado o
lengalenga. Falavam de cores de camisas polo e tipos de cortes de calça e sei lá o que
mais. Um papo furado insuportável do caralho! Tertuliano agora já mudava de assunto e passava a falar de programas
estúpidos de televisão que Zacarias também não suportava. Ah! Finalmente, um
ponto de rompimento. Agora era só esperar mas...surpreendentemente Zacarias
começava a falar de um outro programa idiota e a conversa continuava no mesmo
ritmo. Eu sorrio, faço de conta que estou entendendo tudo, prestando atenção,
sendo amigável. Olho pela janela e vejo lá fora um pássaro pousar suavemente
sobre o muro, o céu está limpo, uma brisa bafeja na janela e os caras ao meu
lado agora difamam não sei quem. Conversa insuportável! Passam-se mais uns dez
minutos neste ritmo e eles ainda estão tentando me convencer a participar
daquela porcaria toda. Mas eu resisto, tenho personalidade, sou mais eu.
Por fim Tertuliano levanta-se dando uma desculpa
qualquer e Zacarias o segue dizendo que vai ao banheiro. Em pensamento eu
comemoro. Os venci finalmente. Eles saem da sala e me deixam sozinho talvez sem
saber que estou tão feliz por finalmente estar distante deles.
Morpheus
Marcadores:
calúnia,
chatice,
conto,
conversa fiada,
espera,
estória,
fofoca,
infâmia,
maçante,
mentira,
palestra,
papo furado,
tormento,
trivialidades.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
TRANSLÚCIDO
Comi dois livros em uma semana,
rabisquei em tabletes de chocolates os nomes esquecidos das doze bruxas que conheci,
inventei engrenagens esdrúxulas para máquinas barulhentas,
mostrei o pinto para a vizinha,
falei sozinho na noite silenciosa,
inventei monstruosidades na esperança de ser engraçado para as crianças,
fiquei sóbrio na fila de espera,
gozei na buceta como um cão sarnento,
peguei um ônibus,
observei cautelosamente a paisagem na esperança de encontrar um ser mitológico,
fui eu mesmo por uns dias,
procrastinei,
procrastinei,
procrastinei,
procrastinei...
Propalando dísticos saltei quimeras,
alvejando batentes abri portas,
drasticamente viajei alado,
e sofismei, sofismei calado
sobre o sofá romanesco
da sala abafada pintei o quadro
onde matava a golpes de foice
a mentira pálida de um dia náutico
Renasci em vidros, vomitando pleonasmos
e então procurando lúcidas elucubrações
entre os objetos jogados no quarto
encontrei outro item para minhas parafernálias,
era um robusto pilão de bronze
que eu lancei pela janela na esperança vil
de me livrar do elo que me prendia àquele livro
e esqueci...
Cavei no barro com potes toscos de plástico
e encontrei uma luminária que iluminou novos pensamentos
viscosos e profanos
Cavei no barro com meus dedos rotos,
cavei no barro com minhas mãos medíocres,
cavei no barro minha poesia louca
e me escondi no poleiro
acima das cabeças inermes para que não me fizessem perguntas
Insone lapidei deidades
até o amanhecer alaranjado,
ouvi os gritos horrendos dos órfãos da noite
fenecerem aos poucos; ocultos em paredes nulas
Vaguei sincero entre letras,
galguei valente os ditirambos boçais das tribos daqui,
vociferei quando pude;
vendi aos homens suas mercadorias mortas
e lhes cuspi no rosto
que eu era apenas um poeta
e que não precisava daquilo tudo
porque não precisava ser como eles
Arranquei do meu peito esta personalidade
e deixei sangrar o que era comum
até que o tronco oco ficasse vazio de mediocridade
E então, pronto para caminhar pelo mundo
eu preparei meu chá e, em silêncio,
me sentei na frente da minha casa
fumando
e oferecendo à mente
as possibilidades multidimensionais
de uma madrugada silenciosa
Morpheus
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
MY SECOND ONE
The landscape i saw into your eyes was just a gate
wich lead me to a new colorful world
A world that begin with the emerald green
everytime you glancing towards to me calling for attention
and saying: daddy; can you do me a baby bottle?
I look at you and see a future
see the eld...
the death
In your large round green eyes i see myself
and all innocence you bear in your little heart
I realize how much we lose when we grow up
but you don't
not yet...
You, my daughter,
you still have that landscape to walk on up
and may i can guide you
until the moment that you can do it by yourself
Morpheus
Assinar:
Postagens (Atom)